RETOMADA DA VIDA SEXUAL APÓS O INFARTO
Pesquisa inédita realizada pelo Instituto do Coração aponta que, embora 91% dos infartados reassumam a atividade sexual após o evento cardiovascular, 60% destes apresentam algum diagnóstico de disfunção sexual após 6 meses do infarto: desejo diminuído, disfunção erétil, ejaculação precoce e retardada.
A presença de distúrbios psiquiátricos, a idade elevada e o diabetes, foram os fatores de maior contribuição na incidência dessa disfunção no grupo pesquisado. A condição psicológica do paciente, nesse caso, é determinante na normalidade e qualidade da vida sexual do infartado, diz Luciano Vacanti, coordenador da pesquisa e pós-graduando do Incor. "Muitos pacientes têm medo de sofrer outro infarto com os esforços ou não se sentem mais capazes de ter uma vida sexual ativa e feliz", comenta.
Pesquisas internacionais corroboram essa afirmação. De acordo com o diretor da Unidade de Coronariopatia Crônica do Incor, Dr. Luiz Antonio Machado César, o risco de infarto durante a atividade sexual é igual para quem apresenta ou não histórico de infarto prévio.
Para o Dr. César, é necessário desmitificar o sexo como fator de risco para o cardíaco, principalmente quando este se encontra sob tratamento e acompanhamento médico. Medidas complementares também são bem vindas, como a prática regular de atividade física que, reduz o risco de infarto durantes as atividades sexuais.
Com relação à utilização de medicamentos na disfunção erétil em pessoas com problemas cardíacos, pesquisa recente do Incor, comprova a eficácia do Sildenafil, nome genérico do Viagra, no tratamento de pacientes com insuficiência cardíaca congestiva, sem efeitos colaterais importantes. O estudo revela que os pacientes, sob uso do medicamento, apresentam melhor performance e maior resistência física. Sob o ponto de vista cardíaco, o resultado aumenta o potencial de utilização do medicamento nesse tipo de doente, o que até então era desaconselhado por especialistas.
As pesquisas do Incor, associadas a outros estudos que estão sendo divulgados no mundo, apontam para a importância da abordagem sexual no tratamento de cardiopatas, garantindo um dos fatores de qualidade de vida do paciente. "É necessário que os médicos abordem o paciente sobre esse assunto como uma rotina no tratamento", aconselha o Dr. César. Ao contrário do que se pensou em algum momento, os estudos também revelam que o Sildenafil, não causa infarto e muito menos coloca o cardíaco em risco. "Nesse sentido, ele pode ser um importante apoio no tratamento de pacientes que necessitam de medicamentos", complementa.Colaboração de Rita Amorim Assessora de imprensa do Incor
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